Em 2025, em França, morreram 927 pessoas sem domicílio (sem tecto, sem chão, sem paredes), o dobro em quinze anos (463 em 2010). A rua mata, e mata muito depressa: os sem-abrigo em França morrem antes dos 50 anos. Basta que tenham passado 6 semanas seguidas a dormir na rua. Mais de 80% são homens, mas o número de mulheres nesta circunstância tem progredido e passou de 11% entre 2012 e 2024 para cerca de 17% desde então.
Esta estatística é a demonstração de uma derrota societal. A de uma sociedade que é indiferente à vida destas pessoas. Que é incapaz de evitar este nível de desigualdade. Que vira a cara a isto enquanto se declara cristã, ou qualquer outra coisa teoricamente análoga baseada na crença do dever de uma compaixão fundamental e/ou na convicção de que os seres humanos têm direitos. O alheamento relativamente a estas vidas é de tal ordem que as causas concretas da morte de dois terços destas pessoas permanece desconhecida. A indiferença é violenta a este ponto.
As razões destas mortes prematuras não interessam os poderes, embora entre os mais novos (15-25 anos) 60% conheçam uma morte violenta: homicídio, naufrágio, suicídio, intoxicação. A morte por frio atinge os mais velhos, e está em crescimento. Um outro dado: um crescente número das pessoas que foram institucionalizadas durante a infância morrem na rua, morrem três anos mais cedo do que a mediana, são mais vezes encarceradas, mais vezes abusadas durante os primeiros anos de vida e suicidam-se mais.
A pergunta que os autores deste estudo consideram a mais pertinente não é
por que é que há cada vez mais pessoas sem casa
mas
por que é que ainda há pessoas sem casa.
É preciso responder a isto com verdade.
Fonte: Libération e relatório anual do colectivo Les Morts de la rue
Imagem (c) Joel Saget/AFP

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